quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

O IDIOTA, O ERUDITO E A PERFEIÇÃO HUMANA



Não é novidade a briga entre as duas correntes: a dos que lutam para provar de todas as formas a inexistência de Deus e, a dos que fanaticamente brigam para dizer com todas as vozes que Deus existe e vai castigar todo mundo, se não nos arrependermos de nossos pecados.

No meio desse embate estão alguns poucos que sentem falta de algo em si. Sentem que vida não é só um nascer, crescer, “criar juízo”, casar e depois morrer. Acham que o ser humano poderia se transformar em algo mais digno, mais elevado. Dizem alguns filósofos, como por exemplo, Deepak Chopra, que para chegar à perfeição basta entrar em meditação e se autoconhecer. O problema é que essa busca por esse “algo a mais” pode ser taxada como coisa de idiotas.

Idiota é uma palavra muito interessante e já foi diagnosticada por vários escritores. Um dos mais interessantes casos de imbecilidade crônica foi apontado por François Rabelais, no século 16: a idiotice doutoral dos “eruditos”. Esse tipo de idiota insiste em usar palavras sofisticadas para falar sobre o nada e é especialista em fazer com que ninguém o entenda. Um deles queria saber se “a frigidez hibernal dos antípodas, passando numa linha ortogonal através da homogênea solidez do centro, podia, por uma delicada antiperístase, aquecer a convexidade dos nossos calcanhares”.
O que é ser inteligente, então? É por acaso falar coisas absurdas e ininteligíveis – o famoso: “falar bonito”?  É, por acaso, acumular informações em nosso pequeno cérebro e repeti-las como um papagaio, mesmo que não sejam nossas, com pose de erudito e olhar de sabichão? Talvez, inteligência seja um apanhado de consciência daquilo que se é, de onde se está e do que se sabe. Se for assim, há muitas formas de ser inteligente. Quem sabe por isso Sócrates, o homem mais sábio da Grécia, explicou: “Eu e os homens notáveis de Atenas nada sabemos. A única diferença entre eu e eles é que eu, nada sabendo, sei que nada sei, enquanto que eles, nada sabendo, pensam que sabem muito”.
Essa busca por esse “algo a mais” faz parte da condição humana. Até mesmo Sócrates buscava o belo inspirado em um modelo divino. Aqueles que negam o princípio inteligente chamado Deus, o vêm no “Deus ciência” e buscam nela a resposta para suas inquietudes.
O fato é que talvez o idiota esteja mais perto de encontrar as soluções para suas inquietudes do que o erudito. Porque o erudito, o ignorante ilustrado, pensa que sabe muito. Pensa que é um gênio, um sábio, quando na verdade “não só ignora, como ignora que ignora”.
O idiota, em sua sabia ingenuidade, possui uma ânsia de querer ser melhor. E é nessa ingenuidade que está sua sabedoria: a capacidade de poder capturar o belo da vida, de si e dos princípios inteligentes da natureza. Na ânsia por encontrar a transcendência, o idiota não cria filosofias complicadas sobre o criador, nem pensa sobre ele, simplesmente fecha os olhos e tenta senti-lo dentro de si...
Bendito sejam os idiotas...


Paulo de Siqueira

Curitiba - Brasil

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS

"Quem puder entender a morte melhor viverá" -

 

O documentário que esta semana fazemos refencia fala-nos da morte, num tempo em que recentemente tanto dela se falou:  O fim do mundo.
O Alguém disse que todas as histórias de vidas com sucesso acabam no cemitério. Que nisto se medite.



Um resumo do "Livro Tibetano dos Mortos" pode ser lido/baixado gratuitamente AQUI


JFM - Lisboa - Portugal

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A POLITICA E O DESPERTAR INTERIOR

O sábio Diógenes, depois de ser expulso de sua cidade natal Sínope, fez morada em um barril, em Atenas. Seus únicos bens eram um alforje, um bastão e uma tigela. Todos os dias pegava uma lanterna e, em plena luz do dia, saia caminhando pelas ruas procurando um homem honesto. A única coisa que lhe interessava era desbancar os valores sociais do que ele via como uma sociedade corrupta e, desenvolver as virtudes humanas. Isso acontecia, ironicamente, em uma sociedade, que segundo alguns historiadores, inventou a política.
Politica quer dizer “o exercício do Poder”. Para exercer a autoridade deve-se agir com coerção sobre alguém. Há três maneiras básicas para coagir: a forma tradicionalista, que é o mando que passa de pai para filho, a da legalidade, através da competência de um estatuto legal, fundado em regras e, através do carisma, que significa dizer: a devoção depositada em alguém. A confiança que se deposita em outra pessoa. É a admiração pela fé. O fato é que não existe política sem dominação, através da coerção. Deste modo, todo homem que se entrega ao exercício político aspira poder.
Para o Filósofo Samael Aun Weor, que de igual maneira renunciou, também, ao mundo corrupto exterior, assim como Diógenes, o importante não são as formas, mas, o conteúdo: “no mundo existem certas maneiras religiosas que só conduzem a um beco sem saída, mas seus seguidores insistem em se purificar trancados em tais prisões. Se deve renunciar a essas doutrinas, se deve ter o valor de renunciar a tais jaulas. O importante é o que está dentro de nós”. Samael afirma nas entrelinhas, nesta citação, que o mundo dos conceitos, do intelectualismo politico, ou religioso, o mundo dos dogmas, e das disputas, mesmo que seja dentro do Movimento Gnóstico, é uma prisão intelectual que não leva a lugar nenhum.
No evangelho Gnóstico de Thomé encontramos: “se vossos guias vos disserem: Olhai, o Reino está no céu, então os pássaros do céu vos precederão. Se vos disserem: está no mar, então os peixes vos precederão. Mas o reino está dentro de vós e está fora de vós. Quando vos chegueis conhecer a vós próprios, então sereis conhecidos e sabereis que vós sois os filhos do Pai vivente. Mas se vós não vos conhecerdes, então ficareis na pobreza  e sereis a pobreza.”
Da mesma forma, quando Maria Madalena pergunta a Jesus sobre qual é o pecado do mundo, ele responde: “não há pecado, no entanto, vós cometeis pecado quando praticais as obras da natureza do adultério denominada pecado”... “Por isso ficais doentes e morrereis, uma vez que praticais o que vos extravia. A matéria gerou uma paixão carente da semelhança, uma vez que procedeu um ato contranatural”.
A busca do despertar, então, exige certa qualidade que foge dos padrões sociais antigos e modernos: a abnegação. Abnegar-se é renunciar algo em benefício próprio. Na política o que mais se quer é o exercício do poder em benefício próprio. Essa maneira de proceder sufoca nossa verdadeira realidade, isso que está dentro de nós e que podemos rotular de chispa divina.
Diz o Evangelho da Verdade: “uma vez que a totalidade procurou aquele de quem tinha saído, e a totalidade estava dentro dele, o incompreensível, impensável, que esta sobre todo o pensamento, ignorar o pai provocou angustia e dor. Mas a angústia tornou-se densa como a bruma, de maneira que ninguém podia ver; por este motivo se fortaleceu o erro; trabalhou sua matéria em vão, uma vez que não conhecia a verdade”.
De acordo com o Evangelho da Verdade, dos Evangelhos Apócrifos Gnósticos, ignorar essa essência divina que está dentro de nós, a Pistis Sophia, que saiu do Pleroma, ou dos mundos superiores, é cultivar a dor em nós. Buscar alimentar essa essência, que por natureza é altruísta, rega-la com abnegação é o caminho, assim demostrou Diógenes, que com sua “doutrina cínica” criticava o mundo das vaidades.
Mais do que dizer que Samael, ou o próprio Apóstolo Thomé, teriam interpretações marxistas da religião, devemos entender que eles não se colocavam contra Deus, mas diziam que ele não está fora, e sim dentro de nós. Diziam ainda, que através da prática do autoconhecimento podemos entrar no reino dele, que também está dentro de cada um de nós.
Exercitar o poder da coerção, então, é a cegueira que nos priva do conhecimento real de quem somos nós? O sentir-se dominador, querer tirar proveito em benefício próprio é esquecer-se do Pai que vive em nós. Se quisermos disputar poder com outros, como poderemos então praticar a abnegação?
Jesus, o divino rabi da galileia, como bom gnóstico que era, afirmou: “é dando que se recebe. E, quanto mais se dá, mais se recebe”. Esse é o procedimento puro de um verdadeiro praticante do gnosticismo.
A Gnose é o conhecimento claro dos mistérios divinos; a gnose é um funcionalismo muito natural da consciência desperta, é uma filosofia perene e universal. Por isso, ela exige que se lance mão de todo o tipo de prisão: a ignorância.
Por isso é que todos os grandes sábios que buscavam um despertar interior, um despertar para o mundo espiritual, praticavam a abnegação e a renuncia das vaidades do mundo. Por isso, Diógenes não queria nada. Queria apenas que as pessoas saíssem de sua frente para deixar a luz do Sol passar e esquentar seu lar: o barril.

Paulo de Siqueira 

Curitiba - Brasil

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

NATAL 2012


" De nada adianta o Cristo nascer mil vezes em Belém se ele não nascer no coração  do homem também".
 Samael Aun Weor


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A ARTE DE CALAR



  








Muitas vezes basta uma mirada.
Uma mirada sustentada.
Os olhos nos os olhos do outro.

Adivinhar o significado dos brilhos.
Ler o futuro imediato para além da pupila.
Queres dizer muitas coisas,
mas aguentam-se as vontades.

Aperta os lábios.
Permite que as ideias circulem
mas que fiquem adentro.
Alonga o espaço entre as perguntas e as respostas.
Deixa que os músculos se desenhem no rosto.
Espera um sinal de alerta.

Forçar a respiração.
Pensar que o outro pensa.
Analisa.
Espera.

A economia das palavras:
uma virtude que não é exclusiva das freiras de clausura.
Um jogo que praticam os que sabem fazer-se loucos.
Os que entendem que nem todos os interrogantes
merecem uma frase.
Que a solução nem sempre chega ao abrir a boca.

Porquê o dizer tudo?

Por que não manter em conserva uma dose
do que se pensa?

Porque não converter em segredo
algumas das ideias que fazem o seu aparecimento sem prévio aviso,
ao menos pela a ilusão de que o tempo as amadureça
e as transforme em ideias mais duradouras?

Porque não entender, de uma vez,
que a boca jamais conseguirá ser tão rápida como o cérebro?
E que nem tudo o que se cruza pela mente
Pode-se converter em palavras, nem o merece?
Que também se pode falar com o gesto?
Que o silêncio às vezes grita?

Guarda-se silêncio nos hospitais,
nas salas de velórios,
nas sessões solenes
e no consultório odontológico.
Guarda-se silêncio por pudor,
por respeito, por dor…
pela dor que é incapaz de se converter em pranto.
Ou quando o pranto se esgota, e esgota o que chora..

Teria que aprender a calar
sem outro motivo que a própria vontade.

Calar para escutar.
Calar para olhar.
Calar para aprender.
Calar para calar.

Calar, para converter o silêncio num cúmplice.
Para saber se o eco existe.

Calar, porque nem tudo o que nos convém
escutar no-lo dizem ao ouvido,
com a intimidade de uma confissão,
com o volume de um grito,
com o acento das grandes revelações.

Calar, para compreender que o silêncio é a máscara
dos sons mais formosos…

(Desconheço o autor)

JFM _ Lisboa - Portugal

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

RELIGIÃO vs ESPIRITUALIDADE



Religião não há só uma. Existem centenas.
A espiritualidade é única.

A religião é para os que vivem adormecidos.
A espiritualidade é para quem quer despertar.

A religião serve aqueles que precisam de alguém que lhes diga o que fazer ou gostam que alguém os conduza.
A espiritualidade é para aqueles que ouvem a sua consciência o Ser Intimo.

Na religião existem uma série de regras dogmáticas.
A espiritualidade convida a relativizar e a questionar tudo.

A religião ameaça e assusta.
A espiritualidade trás a mensagem da Paz ao coração.

A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade ensina a aprender com o erro.

A religião reprime e torna-te muitas vezes falso.
A espiritualidade transcende tudo e propõe que se fale sempre a verdade.

A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo, logo é divina.

A religião não procura nem pergunta.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião por ser uma organização humana tem regras.
A espiritualidade não precisa de regras por ser divina.

A religião é a causadora de divisões.
A espiritualidade apela à união.

A religião procura crentes.
A espiritualidade tem que ser procurada.

A religião segue preceitos de um determinado livro.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião alimenta-se do medo.
A espiritualidade é uma fonte de confiança e fé.

A religião mora no pensamento.
A espiritualidade habita na consciência.

A religião preocupa-se que o fazer.
A espiritualidade com o Ser.

A religião alimenta o ego.
A espiritualidade torna-nos transcendentais.

A religião propõe-nos que renunciemos ao mundo.
A espiritualidade faz-nos viver com Deus e não O negar.

A religião é adoração.
A espiritualidade é meditação.

A religião propõe a glória e sonha com o paraíso.
A espiritualidade faz-nos viver na glória do paraíso aqui e agora.

A religião está no passado e no futuro.
A espiritualidade vive o momento. Agora.

A religião condiciona a nossa memória.
A espiritualidade liberta a nossa consciência.

A religião acredita na vida eterna.
A espiritualidade torna-nos conscientes de tal.

A religião faz promessas para depois da morte.
A espiritualidade encontra Deus no nosso coração durante a vida.

"Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, somos seres espirituais passando por uma experiencia humana".


(Texto de autor desconhecido traduzido e adaptado do espanhol).

JFM – Lisboa - Portugal