quinta-feira, 28 de abril de 2011

O PODER DA ORAÇÃO

A ORAÇÃO, em nosso dia-a-dia, deveria ser algo simples e natural. Deveríamos acordar, passar o dia e, ao nos recolhermos, à noite, entregar-nos à oração.
Pela oração alcançamos graças. Pela oração pacificamos a agitação interior e acalmamos o bulício mental.
A oração é um ato consciente, sem fórmulas, e que afasta a inconsciência.
Quando começamos a orar, parece que tudo está agitado, mas, com o passar dos minutos, a mente se acalma e podemos nos concentrar melhor. Apenas precisamos de uns quantos minutos, reservados, para orar.
O silêncio que se busca na oração é o interior e cada um precisa treinar-se em silenciar os “barulhos” e “conversas” internas. Para isso, a melhor prática é a da meditação. A meditação vipassana, baseado na atenção, plena consciência e investigação, ensinada por Buddha, ajuda a pacificar a mente.
Jesus, quando orava, também se recolhia. Se dirigia ao silêncio do deserto e, sob as estrelas, conversava com seu Pai.
Outro ponto essencial na oração diz respeito aos sentimentos ou emoções nobres. É o que se chama de RETO SENTIR, em que precisamos aprender a expressar, em cada gesto, palavra, olhar, entre outras formas de expressão, as emoções de tipo superior.
Para isso precisamos aprender a utilizar de forma RETA e SÁBIA os cinco centros ou cilindros da “máquina humana” e, aí, retornamos a um tema surrado e que poucos dão atenção: a assimilação inteligente das impressões.
Embora muitos não saibam, de início, o que é uma emoção superior, sabem, por outro lado, ainda que inconscientemente, o que é uma do tipo negativo, que geralmente nos advém ao assistirmos filmes, tais como de terror, brutais, melancólicos, românticos, etc.
Destes centros, o emocional, que está empedernido em praticamente todos nós, precisa ser trabalhado. A base das práticas espirituais DEVOCIONAIS, conseguimos que esse centro seja purificado e expresse sentimentos ou emoções nobres, superiores.
As práticas devocionais podem ser, entre outras
• Mantras (om tare tutare ture soha, ram-io, inri, gate gate paragate parasamgate
bodhi svaha, entre outros);
• Canção de lótus;
• Orações em favor da humanidade (Cadeia com a Grande Mãe Gaea e prática
com o Logos Solar);
• Yoga do rejuvenescimento;
• Jejuns.
Jejuar não quer dizer privar-se de alimentos, mas, prover-se de um tipo de alimento propício ao trabalho espiritual.
Podemos, por exemplo, todas às quintas fazer um jejum em que nos absteremos de comer carnes, frituras ou massas, fazendo proveito de frutas, sucos naturais, saladas, mel, cereais, água, etc., de forma equilibrada. Na oportunidade, durante o dia, sem abandonar nenhum compromisso, procurar, agindo na intimidade e individualidade que possuímos, orar, louvar, agradecer à divindade, aos mestres, aos buddhas.
Como ensinou o Cristo: “quando quiserdes orar, entrai no vosso quarto e, estando fechada a porta, orai ao vosso Pai em segredo; e vosso Pai, que vê o que se passa em segredo, vos recompensará. E, orando, não useis as vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo muito falar serão ouvidos”.
Importante falar sobre a importância da oração porque no trabalho espiritual há uma questão central e um ponto-chave para o avanço e o progresso, que é o trabalho da eliminação dos defeitos.
O Mestre Samael sempre ensinou que somente um poder superior à mente é capaz de eliminar, dos 49 níveis da mente, os defeitos que possuímos. Esse poder ou força é exercido por nossa Divina Mãe Kundalini.
De nada adianta passar o dia em estado de alerta, meditar e compreender para, ao final, consciente de tudo que se passa, nada fazer de concreto para erradicar a causa que nos ata ao sofrimento. É como saber que temos um veneno em nosso corpo e, ainda assim, deixarmos ele circular livremente, sem nada fazer.
Se para tirar o veneno procuramos um médico, para eliminar um defeito apelamos, suplicamos, rogamos à nossa Mãe Divina, o bálsamo de todas as nossas chagas, para que ela elimine tal ou qual defeito e purifique nossa mente, nossos centros e nossos sentidos. Para que Ela faça nascer em nós a alma-cristo.
Querem aprender a orar ? Aprendam a usar essa chave ensinada pelo Mestre Samael, porque, seguindo o caminho da santidade, preparamo-nos para a Epifania e realizamos em nós o Cristo.
O Mestre ensinava: A oração se faz sempre de joelhos. É preciso saber orar. Orar é conversar com Deus. Quando o Anjo Aroch, Anjo do [Raio do] Mando, ensinou-me esta chave maravilhosa da Unção Gnóstica, também me ensinou a orar. São indescritíveis aqueles instantes inefáveis em que o Anjo Aroch, na forma de uma criança ajoelhada e com as mãos juntas sobre o peito, levantava seus olhos muito puros para o céu. Seu rosto parecia de fogo naquele instante e cheio de amor profundo exclamava: “Senhor, Senhor, não me deixe cair, não me deixe sair jamais da luz, etc”.
Por fim, a ORAÇÃO é uma parte importante no caminho do ARREPENDIMENTO e da RENÚNCIA.

Texto de Alex Alves, Instrutor da Escola Gnóstica Fundasaw

Pintura. “São Francisco de Assis orando” do pintor Bartolome Esteban Murillo


JFM - Lisboa Portugal

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O SIBOLO DO OVO

"E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória."
(I Coríntios., 15:54)
Os dias escuros e tristes do Inverno passaram. A Mãe Natureza vai levando o frio, a neve da cobertura da terra a milhares e milhões de sementes resguardadas na terra fofa abrigadas, que estão rebentando da sua crosta e revestindo o solo com roupas de verão, numa explosão brilhante e gloriosa de cores que preparam a câmara nupcial para o acasalamento de pássaros e animais.
Nesta altura o espírito do mundo civilizado prepara a festa a que chamamos Páscoa, comemorando a morte e ressurreição daquele cuja história está escrita nos Evangelhos, o nobre ser conhecido no mundo com o nome de Jesus. Mas o cristão místico tem uma visão mais ampla e profunda do evento Cósmico e da sua recorrência anual. Para tal há uma impregnação anual da terra por uma Cósmica Vida Crística, uma espécie de uma respiração que se inicia com uma inalação que tem lugar durante o Outono, culmina no Solstício de Inverno, quando celebramos o Natal e termina com a exalação que se conclui no no período da Páscoa.
O Cósmico Drama da Vida e da Morte é representado anualmente por todas as criaturas e coisas evolutivas, desde o mais alto ao mais baixo, uma vez que até o Cristo Cósmico na Sua compaixão está sujeito à morte, por ter entrado nas nestas estritas condições durante uma parte do ano. Por conseguinte, pode ser adequado para trazer à mente algumas ideias sobre a morte e o renascimento que por vezes somos propensos a esquecer.
Entre os símbolos cósmicos que nos foram deixados desde a antiguidade, nenhum é mais conhecido como o símbolo do ovo. Encontra-se em todas as religiões. Encontramo-lo no “Eder Eddas” dos escandinavos, perdido na noite dos tempos, que nos conta que o ovo humano gelado pelas rajadas de Niebelhein, foi aquecido pelo hálito de fogo de Muspelheim para que os diversos mundos e o homem tivessem sido criados Se formos para o ensolarado Sul encontraremos nos Vedas da Índia a mesma história, no tempo e no espaço, em que Kalaharsa o Cisne, ao pôr um ovo, este acabou por se tornar o mundo. Entre os egípcios encontra-se o globo alado e as serpentes ovíparas simbolizando a sabedoria manifestada no nosso mundo. Em seguida, os gregos tomaram este símbolo que foi reverenciado nos seus mistérios. Foi preservada pelos druídas. Era conhecido pelos os construtores do monte da grande serpente em Ohio (EUA) que mantêm o seu lugar na simbologia sagrada até hoje, embora a maioria esteja são cega ao “Misterium Magnum” que esconde e revela o mistério da vida.
Quando se parte a casca de um ovo encontramos dentro, apenas fluidos viscosos de cores e consistências variadas. Mas quando submetido a temperatura adequada, há lugar a uma série de mudanças que num curto espaço de tempo um ser vivo quebrará a casca, de dentro para fora, pronto para assumir o lugar entre seus pares. É possível, em laboratório, aos cientistas, replicar as substâncias do ovo que podem ser metidas numa concha, numa réplica o mais perfeita possível e depois de passarem todas as provas que considerem dever serem feitas para um ovo natural. Mas, diferentemente do ovo natural, nenhuma criatura viva pode ser chocada pelo produto artificial. Portanto, é evidente que algo intangível e determinado deve estar presente no primeiro e ausente no segundo.
Este mistério das idades que produz seres vivos é aquilo a que chamamos Vida. Uma vez que não pode ser reconhecido, entre os elementos do ovo, mesmo sob o microscópio mais poderoso - mas deve lá estar para fazer as mudanças notadas, logo, ele deve ser capaz de existir independentemente da matéria. É por isso que nós ao ensinamos, o símbolo sagrado do ovo, dizemos que a vida é capaz de modelar a matéria mas não depende dela para a sua existência. É auto-existente e por não ter começo não pode ter fim. Isto é simbolizado pela sua forma oval. Quando tivermos o verdadeiro conhecimento da verdade, transmitida pelo ovo simbólico, que a vida é increável e por isso sem começo e sem fim, isso vai permitir-nos perceber que aqueles que estão sendo removidos da existência física, estão apenas passando por uma jornada cíclica, similar à vida do Cristo Cósmico que penetra na terra no Outono e a abandona na Páscoa.
Vendo, assim, como a grande Lei, por analogia, trabalha em todas as fases e debaixo das circunstâncias da vida. O que sucede no grande mundo ao Cristo Cósmico sucede igualmente aqueles que são Cristos em formação
Devemos entender que a morte é uma necessidade cósmica, nas atuais circunstâncias, pois se estivéssemos presos num corpo igual ao que usamos atualmente e metidos num ambiente como o que temos hoje para lá viver para sempre, com as doenças do corpo e a pouco satisfatória natureza do ambiente, depressa nos cansaríamos da vida e clamaríamos por ser libertados. Travaria qualquer progresso e seria impossível para nós ir para alturas superiores, com que podemos evoluir para reencarnar em novos veículos e alcançar outros horizontes para nos proporcionar novas oportunidades de crescimento. Por isso, damos graças a Deus porque assim como o nascimento em um determinado corpo concretamente é necessário para o nosso desenvolvimento, também a libertação pela morte foi prevista para nos livrarmos do instrumento superado, enquanto a ressurreição e renascimento sob a sorridente céu de um novo ambiente nos oferece uma outra oportunidade para começar a vida com uma folha limpa e aprender as lições que não entendemos antes. Por este método, seremos um dia tão perfeitos como é o Cristo Ressuscitado. Ele assim nos ordenou e vai-nos ajudar a obtê-lO.

in “A Interpretação Mística da Páscoa” de Max Heindel


JFM - Lisboa - Portugal


quinta-feira, 14 de abril de 2011

A MEDITAÇÃO

Acima de tudo é necessário aprender a viver de instante em instante, saber aproveitar cada
momento, não dosear o momento. A momentaneidade é característica especial dos gnósticos. Nós amamos a filosofia da momentaneidade.
Em certa ocasião perguntaram ao Mestre Nansen:
-O que é o TAO?
-A vida Comum!
-Como se faz para viver de acordo com ela?
- Se tratas de viver de acordo com ela, fugirá de ti. Não trates de cantar esta canção, deixa que ela mesma cante. Por acaso o humilde soluço não vem por si só?
Recordai esta frase: "A Gnose vive-se nos fatos, murcha nas abstracções, e é difícil de encontrar mesmo nos pensamentos mais nobres".
Perguntaram ao Mestre Bokujo: - Teremos o que vestir e comer todos os dias? Como poderíamos escapar de tudo isto?
O Mestre respondeu:
- Comendo, vestindo-nos.
- Não compreendo - disse o discípulo.
- Então, vista-se e coma - disse o Mestre.
Esta é, precisamente, a acção livre dos opostos. Comemos? Vestimo-nos? Por que fazemos disso um problema? Porque pensar noutras coisas enquanto estamos comendo ou vestindo?
Se está a comer, coma, e se está a vestir, vista-se, e se está andando pela rua, anda, anda, anda, mas não pense noutra coisa, faça unicamente o que está fazendo, não fuja do que está fazendo, não fuja dos factos, não os encha de tantos significados, símbolos, sermões e advertências. Viva-os sem alegorias, viva-os com mente receptiva de instante em instante.
Esta tensão contínua da mente, esta disciplina contínua, leva-nos ao despertar da consciência. Se estamos a comer e a pensar em negócios, é claro que estamos sonhando. Se estamos a conduzir um automóvel pensando na namorada, é lógico que não estamos despertos, estamos sonhando. Se estamos a trabalhar e estamos a lembrar-nos do compadre ou da comadre, do amigo ou do irmão, etc., é claro que estamos sonhando.
É terrível o esforço e a vigilância que se necessita de segundo em segundo, de instante em instante, para não cair em sonhos. Basta um minuto de descuido e a mente já está sonhando ao recordar-se de algo, ao pensar em algo diferente do trabalho ou do fato que estamos vivendo no momento.
A TÉCNICA
Quando praticamos a meditação, a nossa mente é assaltada por muitas lembranças, desejos, paixões, preocupações, etc.
Devemos evitar o conflito entre a atenção e a distracção. Existe conflito entre a distracção e a atenção quando combatemos contra esses assaltantes da mente. O Eu é o projector de tais assaltantes mentais. Onde há conflito não existe quietude nem silêncio.
Devemos anular o projector mediante a auto-observação e a compreensão. Examinem cada imagem, cada lembrança, cada pensamento que chegue à mente. Recordem que todo pensamento tem dois pólos: positivo e negativo.
Entrar e sair são dois aspectos de uma mesma coisa. O refeitório e a casa de banho, o alto e o baixo, o agradável e o desagradável, etc., são sempre os dois pólos de uma mesma coisa.
Examinem os dois pólos da cada forma mental que chega à mente. Recordem que só mediante o estudo das polaridades se chega à síntese.
Toda forma mental pode ser eliminada mediante a síntese.
Exemplo: Assalta-nos a lembrança de uma namorada. É bela? Pensemos que a beleza é o oposto da feiura e que, se na sua juventude é bela, na sua velhice será feia. Síntese: Não vale a pena pensar nela, é uma ilusão, uma flor que murchará inevitavelmente. Na Índia, esta auto-observação e estudo da nossa psique são chamados, propriamente, Pratyâhâra.
Os pássaros-pensamentos devem passar pelo espaço da nossa própria mente em sucessivo desfile, mas sem deixar marca alguma. A infinita procissão de pensamentos projectados pelo Eu no fim esgota-se e, então, a mente fica quieta e em silêncio.
Um grande Mestre auto-realizado disse: «Somente quando o projector, isto é, o Eu, está ausente por completo, então sobrevém o silêncio que não é produto da mente. Este silêncio é inesgotável, não é do tempo, é o incomensurável, só então advém aquilo que é».•
Toda esta técnica se resume em dois princípios:
1. Profunda reflexão.
2. Tremenda serenidade.
REFLEXÃO SERENA
Necessitamos reflexão serena se é que de verdade queremos conseguir a quietude e o silêncio absoluto da mente.
Entretanto, resulta claro compreender que no gnosticismo puro os termos serenidade e reflexão têm significados muito mais profundos e, portanto, devem ser compreendidos dentro das suas conotações especiais.
O sentimento de sereno transcende isso que normalmente se entende por calma ou tranquilidade, implica um estado superlativo que está além dos raciocínios, desejos, contradições e palavras, designa uma situação fora do alvoroço mundano.
Assim mesmo, o sentimento de reflexão está além disso que sempre se entende por contemplação de um problema ou ideia. Não implica aqui actividade mental ou pensamento contemplativo, mas sim uma espécie de consciência objetiva, clara e transparente, sempre iluminada na sua própria experiência.
Portanto, "sereno" é aqui serenidade do não-pensamento, e "reflexão" significa consciência intensa e clara. "Reflexão serena é a clara consciência na tranquilidade do não-pensamento".
Quando reina a serenidade perfeita, consegue-se a verdadeira iluminação profunda.
PASSOS A SEGUIR
Vamos completar a Técnica da Meditação com os passos que deverão se seguir e que o Mestre nos entregou nas Dez Regras da Meditação. A ordem não é exactamente igual e a única coisa que fizemos foi adequar cada uma dessas regras a uma ordem didáctica.
Todo estudante sério que pretenda aprofundar o campo do Auto conhecimento deve valorizar e apreciar estas regras, praticando-as com responsabilidade, pois é a única forma de aprender a meditar.
PRIMEIRO PASSO:
Relaxamento absoluto de todo o corpo. É imprescindível aprender a relaxar o corpo para a Meditação, nenhum músculo deve ficar em tensão.
É imprescindível, necessário, praticar sempre com os olhos físicos fechados a fim de evitar as percepções sensoriais externas. É urgente eliminar as percepções sensoriais externas durante a meditação interior profunda.
SEGUNDO PASSO:
Fazer-nos plenamente conscientes do estado de ânimo em que nos encontramos antes que surja qualquer pensamento.
O princípio base, fundamento vivo do Shamadhi, consiste no prévio conhecimento introspectivo de si mesmo. Introversão é indispensável durante a meditação a fundo. Devemos começar por conhecer profundamente o estado de ânimo em que nos encontramos, antes que apareça no intelecto qualquer forma mental.
É urgente compreender que todo pensamento que surge no entendimento é sempre precedido por dor ou prazer, alegria ou tristeza, gosto ou desgosto, etc.
TERCEIRO PASSO:
Observação Serena. Observar serenamente nossa própria mente, pôr atenção plena em toda forma mental que apareça na tela do intelecto."Tratar de observar a mente sem interrupção".
QUARTO PASSO:
Mantralização ou Koan. O intelecto deve assumir um estado psicológico receptivo, íntegro, uni total, pleno, tranquilo e profundo.
Os objetivos da Mantralização ou Koan são:
• a) Mesclar dentro do nosso universo interior as forças mágicas dos Mantrams ou Koans.
• b) Despertar consciência.
• c) Acumular intimamente átomos crísticos de altíssima voltagem.
Com os Mantrams e com os Koans ou frases que descontrolam a mente consegue-se o estado receptivo unitotal.
QUINTO PASSO:
Psicanálise. Examinar, indagar, pesquisar a raiz, a origem, a causa, razão ou motivo fundamental de cada pensamento, lembrança, afeto, emoção, sentimento, imagem, desejo, etc., conforme vão surgindo na mente.
Nesta etapa será necessária a sábia combinação da meditação com o sono. É urgente provocar e graduar o sono à vontade. Da sábia combinação de sono e meditação resulta isso que se chama Iluminação.
Desta forma vai se aprofundando nos níveis ocultos da mente, conhecendo os recursos íntimos dos nossos pensamentos, sentimentos e ações.
RECOMENDAÇÕES ESSENCIAIS
1. Deve existir continuidade de propósitos na técnica da meditação, tenacidade, firmeza, constância, insistência. As pessoas inconstantes, volúveis, versáteis, mutáveis, sem firmeza, sem vontade, jamais poderão conseguir o Êxtase, o Satori, o Shamadhi.
2. Será agradável, interessante, assistir cada vez que se possa a exercícios nas salas de meditação. É óbvio que a técnica da meditação científica pode ser praticada tanto de forma individual e isolada como em grupos de pessoas afins.
REQUISITOS NA ATIVIDADE DIÁRIA
1. Devemos tratar de recordar, rememorar, essa "sensação de contemplar" de momento em momento durante o curso comum e corrente da vida diária. Devemos converter-nos em espiões da nossa própria mente. Contemplá-la em acção de instante em instante.
2. É peremptório, urgente, necessário, converter-nos em vigias da nossa própria mente durante qualquer actividade agitada, revolta, deter-nos sequer por um instante para observá-la. A Essência deve liberar-se do corpo, dos afetos e da mente. Resulta evidente, notório, patente, que ao emancipar-se, ao libertar-se do intelecto, se liberta de todo o demais.

*Texto de autor que desconheço

JFM Lisboa-PORTUGAL

quinta-feira, 7 de abril de 2011

UM MAR DE FOGUINHOS

Um homem do povo de Neguá, na costa da Colômbia, pôde subir ao Alto Céu.
De volta, contou. Disse que contemplou, desde lá de cima, a vida humana.
E disse que somos um mar de pequenos fogos.
- O mundo é isso - revelou - Um montão de gente, um mar de foguinhos.
Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as demais. Não há dois fogos
iguais. Há fogos grandes e fogos pequemos, de todas as cores. Há gente de 
fogo sereno, que nem se inteira do vento, e gente de fogo louco, que enche 
o ar de chispas. Alguns fogos, fogos menores, não alumiam nem queimam;
mas outros ardem a vida com tanta intensidade que não se podem olhar sem 
piscar,e quem se aproxima ilumina-se.

In "O Livro dos Abraços" de Eduardo Galeano*

JFM _ Lisboa -PORTUGAL


quarta-feira, 30 de março de 2011

SAMAEL POR ELE MESMO

Muitos pensam que Samael Aun Weor é apenas um pseudónimo. Cremos ser de grande importância transcrever o que o próprio Mestre Samael dizia de si mesmo. O texto abaixo é uma transcrição livre, porém fiel, de uma palestra que ele proferiu no Auditório Cívico do Estado, em Guadalajara, México, no ano de 1975.*

"Muita gente acredita que Samael é apenas um pseudónimo. Não! Efectivamente, eu sou Samael! Vocês mesmos devem ter lido ou ouvido falar que a Kabala fala de Samael, qualificando-o como o Anjo Regente do planeta Marte. Na Bíblia, Samael é qualificado como demónio. Não importa! O fato é que eu sou Samael!
E digo com toda franqueza e honestidade que isso é verdade e, ainda que me levassem a um paredão de fuzilamento, não mudaria de ideia. Eu não tenho pseudónimo! Repito: Eu sou Samael!
Mas, por que alguns dizem que eu sou um anjo e outros dizem que eu sou um demónio? Simplesmente porque eu caí (uma queda espiritual), num passado muito remoto, quando vivia na Ásia Central, nos Himalaias, no começo da Raça Ariana. Cometi o mesmo erro do Conde Zanoni. Naquele tempo, eu tinha um corpo lemuriano, imortal. Fui testemunha ocular do afundamento de todo o continente da Lemúria ao longo de mais de dez mil anos. Vi nascer a Atlântida. Conheci toda a Atlântida, onde segui vivendo com o mesmo corpo lemuriano. Vi também, depois, a Atlântida afundar-se no oceano. Acompanhei o Manu Vaisvavata em seu êxodo daquele continente, antes do seu afundamento.
Mas, infelizmente, cometi um grave erro. Acontece que, depois do êxodo, acabei indo viver num dos tantos reinos que havia na região na época. Eu estava proibido de tomar esposa novamente, por causa do meu grau de imortal. Se vocês não sabem, esclareço que os filhos dos Deuses não podem mais desposar mulheres. Mas, acabei me apaixonando por uma belíssima mulher e acabei me casando. Grande erro! Minha Divina Mãe, um dia, me chamou a uma caverna profunda. E lá me mostrou o futuro que me aguardava caso continuasse naquela situação. Vi lágrimas, chuvas, doenças, misérias. Me vi como um autêntico judeu errante no mundo. Pedi perdão pelo erro cometido, mas, já era tarde; já havia metido os pés pelas mãos! Essa foi minha queda.
Perdi o corpo imortal e acabei submetido à roda de nascimentos e mortes.
Por isso digo a vocês: meu Real Ser Interno é a Monada Regente do planeta Marte. Quanto a mim, aqui, diante de vocês, acabei me transformando num Boddhisattwa caído. Ressurgiram os egos em minha mente e me tornei um verdadeiro diabo. Agora, nesta actual existência, compreendi a necessidade de eliminar os egos, de realizar a Grande Obra e retornar ao Pai. É assim, dessa forma, que estou aqui, hoje, falando a vocês, com o coração na mão! Samael Aun Weor é o meu nome verdadeiro como Boddhisattwa. Samael é o nome da minha Monada!
Sou perfeitamente consciente do amanhecer da vida neste sistema solar! Eu vi surgir esta Criação! Estou aqui, com esta humanidade, desde o primeiro instante! Desde que o coração do sistema solar começou a palpitar depois de uma longa Noite Cósmica! Vim para cá porque para cá me mandou meu Deus Interno, meu Pai que está dentro de mim! Meu propósito é o de servir e de ajudar esta humanidade! E creio que estou servindo o meu semelhante, creio que estou trabalhando em favor da humanidade! Durante muitos séculos estive caído, é verdade, mas, agora, não! Já me levantei do lodo da terra. Já estou finalizando a Obra do Pai!
Portanto, falo do que tenho vivido e experimentado! Estou dentro deste corpo para poder ajudar a humanidade. Mas, em nome da verdade, digo que eu sou o Arcanjo Samael! Se os ignorantes querem dar risada do que estou dizendo ou se não aceitam esse fato, não importa! Não é problema meu! A mim só me interessa dizer o que sou quando me perguntam! Meu único objectivo é o de ensinar a Doutrina do Pai, de meu Pai, que está dentro de mim.
Agora vou narrar algo extraordinário, relacionado à minha actual existência. Quando reconquistei (e tenho que dizer que foi uma reconquista, porque havia perdido e agora já recuperei) o grau de Adepto Qualificado, naturalmente, fui recebido no Mundo Causal. É nesse Plano da Consciência Cósmica, que está o templo da Grande Loja Branca. Os Mestres da Fraternidade Branca, me receberam com desfiles militares e todos me saudaram como fazem os gnósticos. A solenidade de recepção, realizada no templo, foi em estilo militar. Os Adeptos desfilaram diante de minha insignificante pessoa como fazem os militares nos dias comemorativos unicamente para me dar as boas-vindas, do mesmo modo como fazem com qualquer outro Iniciado que alcança determinado grau ou posto dentro da Hierarquia Divina.
A transmissão de grau foi feita telepaticamente. Não lembro de ter visto nenhum sorriso no rosto dos presentes. E ali havia Adeptos chineses, alemães, ingleses, franceses, enfim, de todas as partes do mundo que estão trabalhando na Grande Obra do Pai. Ninguém estava sorrindo. Pelo contrário: em todos existia uma grande seriedade.
Nessa ocasião, telepaticamente, me informaram de tudo que vai acontecer com a humanidade proximamente. Milhões de seres humanos vão perecer pelo fogo, pela água, pelos furacões, pelos terramotos, pelas doenças, pela fome e pelas guerras, que acontecerão antes daquelas catástrofes. Portanto, ninguém estava sorrindo; não havia motivo para rir. Pelo contrário: havia uma terrível severidade em todos aqueles rostos. Me foi dado a entender também a grande responsabilidade que eu estava assumindo, porque, sobre meus ombros, estava caindo o dever de conduzir o Exército de Salvação Mundial desses difíceis tempos finais.
Também me foi dito na época que as instituições gnósticas que caíssem na negligência ou que amolecessem no trabalho seriam cortadas. Ou seja: seriam desligadas da força cósmica, essa fantástica energia que a tudo faz crescer e progredir. Obviamente, pessoas e grupos destituídos dessa energia acabariam se confundindo e fracassando no trabalho, individual e colectivo.
Portanto, é preciso criar um exército de pessoas de boa vontade antes que venha a catástrofe e levá-lo a um lugar seguro. Eu sei qual é esse lugar, mas se eu revelasse, acabaria atrapalhando a Obra do Pai. Nesse local não vai acontecer nada. A esse lugar serão levados todos aqueles que se mostrarem dignos, aqueles que efectivamente estiverem trabalhando sobre si mesmos. No dia, hora e tempo certo essas pessoas serão avisadas para onde se devem dirigir. E ali, todos reunidos, contemplaremos a batalha entre o fogo e a água, como aconteceu na Lemúria e na Atlântida, durante dois séculos.
Passados os 200 anos, quando do fundo do mar já terão surgido novas terras, é para ali que será conduzido esse grupo, convertendo-se no núcleo básico de formação da Sexta Grande Raça.
É óbvio que, nesse intervalo, a Terra ficará envolta em fogo, fumaça e vapor. É durante esses dois séculos que essas pessoas terão que eliminar de sua mente o eu psicológico. Na nova Idade de Ouro não será dado corpo físico a ninguém com ego. Uma só pessoa com ego seria suficiente para corromper todo o resto e colocar em risco a própria Idade de Ouro. Essa é a dura realidade!
Durante a Idade de Ouro não haverá fronteiras, a Terra será transformada e surgirá uma nova Terra, regenerada! Tudo isso que estou comentando está simbolizado no Touro Alado! O Touro Alado é o símbolo da Terra regenerada! É o símbolo do evangelho da futura Idade de Ouro. A Idade de Ouro não é daqui a alguns milhões de anos! Não! É para agora, para a Era de Aquário! Nostradamus disse que sob Aquário surgiria a Idade de Ouro e Nostradamus jamais se equivocou! Além disso, factos são factos! Hercólobus já está ao alcance dos telescópios. Não vê quem não quer.
Portanto, o objectivo de nossos estudos é, precisamente, o de formar um grupo de pessoas que sirva de base para a futura Sexta Grande Raça. Se vocês cooperarem com o Sol, com o Logos Solar, se trabalharem sobre si mesmos, poderão fazer parte desse núcleo fundamental. Seria fantástico se vocês chegassem a fazer parte desse grupo inicial... Os tempos finais estão às nossas portas. Mas, as pessoas, vendo, não vêem, e, ouvindo, não ouvem!
Há muitos anos atrás, quando eu era ainda muito jovem, me revelaram nos mundos superiores tudo isso que estou aqui hoje comentando com vocês. Soube então que a mim estava destinado cumprir esta missão. E me via exactamente assim, diante de vocês, no meio dos grupos, dizendo isso tudo que estou dizendo hoje aqui. Através do sentido da clarividência eu via Hercólobus, eu me via nas ruas e nos auditórios, via as pessoas rindo do que eu falava, via aqueles que acreditavam em minhas palavras, enfim, naquele tempo já pude antever tudo que acontece hoje. Tudo que disse vai cumprir-se, tudo vai acontecer, não tenham dúvida!
Na Atlântida, quando fiz o mesmo trabalho que estou fazendo hoje, as pessoas também riram, gozaram, faziam anedotas, chamavam-me de louco, etc. Bem, antes que aquelas pessoas despertassem para a realidade próxima, tivemos que sair rumo às novas terras para evitar a catástrofe. Todos aqueles que desdenharam dos nossos avisos morreram afogados ou tragados pelos terramotos. A mesma coisa vai acontecer agora, na nossa época...”


( *Texto de autor que desconheço nem recordo onde adquirido)



JFM -Lisboa -PORTUGAL

quinta-feira, 24 de março de 2011

D. QUIXOTE


Da gente bem nascida é agradecer os benefícios que recebe.

Cada um é artífice da sua própria ventura.

Confia no tempo, que costuma dar doces saídas a muitas amargas dificuldades.

Não sejas, nem sempre rigoroso, nem sempre brando.

O valor reside no meio-termo entre a cobardia e a temeridade.

Que loucura ou que desatino me leva a falar das faltas alheias, tendo tanto que dizer das minhas?

O louvor próprio avilta.

Um bom arrependimento é o melhor remédio para as doenças da alma.

Na língua constam os maiores danos para vida humana.

Não foge o que se retira.

Não desejes e serás o homem mais rico do mundo.

Dêem crédito às obras e não às palavras

Morrerei de velho e não acabarei de compreender ao animal bípede que chamam homem, a cada indivíduo é uma variedade da sua espécie.

Parece, Sancho, que não há adágio que não seja verdadeiro, porque todos são sentenças tiradas da mesma experiência, mãe de todas as ciências.

JFM - Lisboa- PORTUGAL


quinta-feira, 17 de março de 2011

A ARTE DA AUTO-OBSERVAÇÃO

Examinar com cuidado os próprios erros certamente significa um passo decisivo na árdua tarefa da autotransformação. Para surtir efeito, porém, esse olhar minucioso para si mesmo deve ser feito sem pressa, sem orgulho, ou medo de punições.

Por Carlos Cardoso Aveline*

Confesso que sou aprendiz, há muitos anos, de algo que se pode chamar “a arte da auto-observação”. Esta prática tem dado o alicerce para minha busca espiritual.
A leitura atenta de bons livros e a meditação regular elevam os pontos mais altos da minha vida interior. Mas é a auto-observação diária que eleva os pontos mais baixos, porque permite identificar serenamente os erros cometidos, compreendê-los, e então tirar deles as lições necessárias.
A prática regular da auto-observação mostrou-me que devemos ter todo respeito pelos nossos erros, porque eles encerram o segredo - e a chave - para percorrer vitoriosamente o longo processo de auto-aperfeiçoamento.
O professor de qualquer língua estrangeira sabe que, em um grupo de alunos, aqueles que não têm vergonha de mostrar seus erros de pronúncia serão rapidamente corrigidos pelo instrutor e se verão livres dos erros.
Está escrito em algum lugar que uma das regras dos verdadeiros discípulos dos mestres de sabedoria é “mostrar seus defeitos e esconder suas qualidades”. No entanto, o que fazemos muitas vezes é o oposto. Exageramos nossas qualidades e negamos a existência de nossas falhas. Deste modo, nossa capacidade de aprender fica reduzida.
Jesus aborda este problema prático quando afirma, em Mateus 23: “O maior entre vocês será aquele que serve a vocês. Aquele que se exaltar será humilhado e aquele que se humilhar será exaltado”. Não há aqui uma vontade justiceira de castigar os maus e premiar os bons. Trata-se apenas de uma questão técnica de aprendizado: quem deixa seus erros à mostra e os examina à luz do dia aprende mais rápido. Quem esconde medrosamente os seus erros não terá como corrigi-los e acabará escravizado por eles. Falando aos escribas fariseus, a quem chamou de falsos, Jesus dirigiu-se também, de certo modo, a todos os que têm dificuldade de admitir seus erros: “Por fora vocês parecem justos, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e iniquidade”.
De nada adianta, porém, atirar-se ao poço da autocondenação, renunciando à satisfação de viver ou à sensação de contato interior com o que é sagrado. O exame sereno dos erros deve estar livre de todo sentimento de condenação, infelicidade ou autocastigo. Segundo a arte da auto-observação, é preciso, em vez disso, examinar nossos erros à luz de nossos acertos e olhar nossa natureza inferior à luz do nosso potencial divino. Deste modo, erros e falhas não nos hipnotizam, mas aprendemos a integrar céu e terra, positivo e negativo, luz e sombra ao nosso longo processo de crescimento interior.
Às vezes alguém lê alguns livros sobre espiritualidade, forma aos poucos uma imagem idealizada de si mesmo, pensa que transcendeu e começa ingenuamente lutar pelo reconhecimento dos outros. No entanto, cada vez que começamos a ter uma opinião muito alta de nós mesmos, estamos subestimando a observação de nossos próprios erros como fonte de paz, harmonia e equilíbrio em nossas vidas.
Não há muito lugar para a auto-importância na mochila de quem avança pelo caminho íngreme e perigoso que leva - morro acima - a espiritualidade verdadeira. Mas os erros que fazem parte da nossa bagagem podem servir de alimento. Mastigando-os, processando-os, a sua transmutação alquímica nos dará mais força, enquanto nossa mochila perde gradualmente seu peso.
Os Versos de Ouro - talvez o mais importante dos textos pitagóricos conhecidos - incluem a auto-observação como uma prática a ser feita todo dia pelo buscador da verdade:
“Nunca deixe que seus olhos se fechem, à noite, antes que sua consciência examine suas ações durante o dia. Pergunte-se: “O que eu fiz de errado? O que fiz corretamente? O que poderia Ter feito, mas deixei de fazer?” E decida continuar fazendo o correto, e abandonar o erro.”

Paulo de Siqueira
Curitiba PR
BRASIL