quinta-feira, 30 de junho de 2011

GNOSE



JFM - Lisboa - PORTUGAL

quinta-feira, 23 de junho de 2011

UM AMOR VERDADEIRO


Manhã agitada; 8:30. Um senhor que aparenta cerca de 80 anos dirige-se a mim, que acabara de entrar, para que lhe tirasse de um polegar dois pontos. Diz-me que está com muita pressa porque tem um outro compromisso às 9.OO. Fiz-lhe os procedimentos habituais; verifiquei a sua tensão, outros sinais vitais e pedi-lhe que aguardasse sabendo de antemão que aquela espera ia ser de mais de uma hora, antes que algum médico o pudesse atender. Vi-o olhando de repetidamente o relógio com ansiedade. Como durante o exame tinha comprovado que a ferida estava sarada, pedi a um dos médicos que lhe retirasse os pontos. Assim se fez. Durante os procedimentos, perguntei-lhe se tinha outra consulta marcada para aquela manhã, já que o via tão apressado. Disse-me que não, que penas tinha que ir á geriatria para tomar o pequeno-almoço com a sua mulher. Indaguei então pelo estado de saúde dela. Respondeu-me que já havia algum tempo que ali estava internada e que padecia de Alzheimer. Em tom conciliador disse-lhe que assim sendo, ela não se iria aborrecer pelo seu atraso. Respondeu-me que na verdade fazia mais de 5 anos que ela o deixara de reconhecer.
Surpreendeu-me. Perguntei-lhe: “E apesar não o reconhecer porque continua a encontrar-se com ela todas as manhãs?”
Acariciou-me a mão, sorriu e disse-me em jeito de despedida:
- Ela não sabe quem eu sou, mas eu sei quem ela é.
Arrepiei-me e tive que conter as lágrimas. Quando ele se afastava pensei: É este tipo de Amor que quero na minha vida. O Verdadeiro Amor não é físico nem sequer romântico. O Amor Verdadeiro é a aceitação de tudo o que é, foi, será e não será.
Gente mais feliz não é necessariamente quem tem o melhor de tudo; mas sim quem faz tudo, o melhor que pode.
A vida não é sobreviver à tempestade, mas sim dançar debaixo de chuva.


JFM - Lisboa - Portugal

quinta-feira, 16 de junho de 2011

ANUBIS

Anúbis é um deus egípcio geralmente retratado como um homem com cabeça de chacal, ou um chacal negro em posição de esfinge (este último geralmente guardando algo ou alguém) Anúbis, o Juiz dos Mortos também conhecido como Anupu, ou Anpu, é o antigo deus egípcio dos mortos e do submundo. 
  

 Anúbis no Egipto
Anúbis é filho de uma união extraconjugal entre Nephtys e Osíris, onde a primeira, esposa do terrível deus Set, faz-se passar por Ísis, a verdadeira esposa de Osíris para poder desfrutar de seu amor incondicional. Temendo a vingança cruel de Seth ao descobrir sobre sua gravidez, Néftis, também mãe de Sebek (o deus com cabeça de crocodilo) esconde o bebé Anúbis num pântano, onde mais tarde Ísis, sua tia, o encontra e cria longe do alcance maléfico de seu tio Seth.
Anúbis então adulto adquire as inúmeras tarefas como deus da morte e do submundo, e todos os aspectos a eles relacionados, como o julgamento, ritos de passagem e as tarefas de embalsamamento. Mais tarde, com a morte de Osíris por seu tio Seth, depois  de  Ísis e Néftis terem reunido os pedaços esquartejados, Anúbis voluntariasse para trazê-lo de volta a “vida”, através das práticas de mumificação e do seu infinito conhecimento sobre a pós-vida, tendo sido assim criada a primeira múmia do Egipto e do mundo.
Após este ato Osíris, que originalmente era um deus da agricultura, pela sua presença de morto-vivo e de divindade maior, “usurpa” então os aspectos de Anúbis, de deus da morte e do submundo.

Anúbis então passa a dedicar-se aos outros aspectos relacionados a Morte. Passa a guiar as almas através do submundo, até os salões do julgamento, onde ele também pesa o coração das alma contra a pena, na balança de Maat, a deusa da justiça, do equilíbrio e da verdade, em tribunal presidido por Osíris, Toth e 42 deuses menores, cada um incumbido de julgar uma das 42 confissões que a alma deveria ter feito.
Era igualmente o protetor da cidade de Cinópolis, o patrono dos embalsamadores  e dos conhecimentos obscuros. 

Anúbis fora do Egito
Após as invasões Gregas em 332a.c. e Romanas em 31a.c., onde apenas um ano mais tarde o Egito se tornaria um estado subjugado a Roma, muitos de seus deuses foram "exportados", entre eles Ísis, Toth e Anúbis, que mais tarde, formaria junto com Hermes um híbrido conhecido como Hermanúbis. E as mumificações e necrópoles tornaram-se muito mais populares e espalhadas pelos impérios Grego e Romano, que continuam a surpreender pelo seu estilo diferenciado.

 Fonte: http://www.ocultura.org.

JFM - Lisboa - Portugal
 

quinta-feira, 9 de junho de 2011

REFLEXÕES SOBRE A MORTE

A MORTE*

O que é a morte física?

A cessação de todas as funções orgânicas. A defunção.

O que há depois da morte?

A morte é profundamente significativa. Descobrindo o que ela é em si mesma, conheceremos o segredo da vida. Aquilo que continua além da sepultura somente pode ser conhecido por pessoas de consciência desperta. Estamos adormecidos, por isso se desconhece aquilo que está além da morte. Teorias há muitas, cada um pode formular a sua opinião, porém o importante é experimentar diretamente tudo aquilo que pertence aos mistérios da morte. Posso assegurar-lhe que dentro do ultra desta grande natureza vivem as almas dos defuntos.

Porque existe o temor à morte?

O temor à morte deve-se à ignorância. Sempre se teme o que se desconhece. Quando a consciência desperta, a ignorância desaparece e o temor ao desconhecido deixa de existir.

Sabemos que o corpo físico se desintegra na sepultura depois da morte, porém o que se passa com a alma? Para onde ela vai?

A alma dos defuntos continua nas dimensões superiores da natureza. Isso significa que os desencarnados podem ver o sol, a lua, as estrelas, os rios, os vales, as montanhas, da mesma forma que nós, porém de uma maneira mais esplêndida.

É verdade que depois de se levar uma vida de maldades e de libertinagem, se nos arrependemos na hora da morte, a alma pode se salvar?

Para o indigno todas as portas estão fechadas, menos uma, a do arrependimento. Naturalmente, se nos arrependemos, ainda que seja no último instante, podemos ser ajudados a corrigir os nossos erros.

Porque voltamos como fantasmas a este mundo depois que morremos?

Saiba que neste planeta existe um universo paralelo, regiões da quinta dimensão onde vivem os defuntos. Esse mundo aparentemente invisível interfere com o nosso sem com ele se confundir.

Para onde vai a alma de um ser humano que tira a vida de si mesmo?

Os suicidas sofrem muito depois de desencarnarem. Eles vivem aqui e agora na região dos mortos e um dia terão de voltar a outra matriz para renascerem neste Vale de Lágrimas, quanto então morrerão contra sua vontade ao chegarem novamente àquela idade em que se suicidaram; quem sabe se naqueles instantes estejam ainda mais desiludidos pela vida.

Espírito e alma são a mesma coisa?

Espírito se é, alma se tem. São pois diferentes.

Os animais e as plantas têm alma?

Sim ... têm. As almas vegetais são conhecidas em todas as lendas universais com o nome de Fadas. As almas animais são criaturas inocentes. Recordemos a palavra animal, se lhe tiramos o “L” ficará escrita assim: ANIMA.

Existe um julgamento superior depois da morte? Quem o faz?

Depois da morte, temos de revisionar a vida que acaba de passar. Revivemo-la de maneira retrospectiva com a inteligência e com o coração. Concluída o retrospetiva , temos de nos apresentar diante dos tribunais de Deus. Os Anjos da Lei, chamados de Senhores do Karma pelos orientais, hão-de julgarnos de acordo com as nossas ações. Desse julgamento pode resultar que passemos um período de férias nos mundos de luz e da felicidade, que regressemos a uma nova matriz para renascermos neste mundo imediatamente ou que sejamos obrigados a entrar no interior da terra onde estão os mundos infernais com todas suas penas e dissabores.

Quando um menino morre ao nascer, para onde vai a sua alma?

Está escrito que as almas dos meninos vão para o limbo, a região dos mortos, porém logo voltarão a entrar numa matriz para renascerem neste mundo.

A que se deve uma morte ao nascer?

Deve-se à lei do destino; pais que precisam passar por essa dura lição, os quais em vidas anteriores foram cruéis para com seus filhos. Com esse sofrimento melhoram, aprendem a amar.

As missas rezadas em memória do morto servem de ajuda para a alma?

Qualquer ritual ajuda as almas dos defuntos. É claro que as orações dos parentes e amigos levam consolo às almas dos falecidos.


*Texto extraído do "Livro da Morte" VM Samael Aun Weor

JFM -Lisboa - Portugal

quinta-feira, 2 de junho de 2011

MAHATMA GHANDI

Sê firme nas tuas atitudes e perseverante nos teus ideais.
Mas sê paciente, não pretendendo que tudo te chegue de imediato.
Há um tempo para tudo, e tudo o que é teu, virá às tuas mãos no momento oportuno.
Aprende a esperar o momento exato para receber os benefícios que reclamas.
Espera com paciência que amadureçam os frutos para poderes apreciar devidamente a sua doçura.
Não sejas escravo do passado nem de lembranças tristes.
Não abras uma ferida que está cicatrizada.
Não relembres dores e sofrimentos antigos.
O que passou, passou!
Doravante tenta construir uma vida nova, dirigida para o alto e caminha em frente, sem olhar para trás.
Faz como o sol que nasce a cada dia, sem lembrar a noite que passou.
Contempla a meta e não vejas as dificuldades para a atingir.
Não te detenhas no mal que fizeste; caminha no bem que podes fazer.
Não te culpes pelo mal que fizeste, mas pelo que te decidiu mudar.
Não tentes mudar os outros; sê tu o responsável pela tua própria vida e trata tu de mudar.
Deixa que o amor te toque e não te defendas dele.
Vive a cada dia, aproveita o passado para o bem e deixa que o futuro chegue a seu tempo.
Não sofras pelo que virá, recorda que “cada dia tem o seu próprio afã”.
Procura alguém com quem compartilhar as tuas lutas pela liberdade; uma pessoa que te entenda, te apoie e te acompanhe nelas.
Se a tua felicidade e a tua vida dependem de outra pessoa, desprende-te dela mas ama-a, sem lhe pedir nada em troca.
Aprende a olhar-te com amor e respeito, pensa em ti como em algo precioso.
Derrama por toda a parte a alegria que há dentro de ti.
Que a tua alegria seja contagiosa e viva para expulsar a tristeza de todos os que te rodeiam.
A alegria é um raio de luz que deve permanecer sempre acesa, alumiando todos os nossos atos e servir a todos os que se acercam a nós.
Se no teu interior há luz e deixares abertas as janelas da tua alma, por meio da alegria, todos os que passam pela rua em trevas, serão alumiados pela tua luz.
Trabalho é sinónimo de nobreza.
Não desprezes o trabalho que te toca realizar na vida.
O trabalho enobrece aqueles que o realizam com entusiasmo e amor.
Não existem trabalhos humildes.
Só se distinguem por ser bem ou mal realizados.
Dá valor ao teu trabalho, cumprindo-o com amor e carinho e assim valorizar-te-ás a ti mesmo.
Deus criou-nos para realizar um sonho.
Vivamos por ele, tentemos atingi-lo
Ponhamos a vida em causa e se dermos conta que o caminho não é esse, então há que mudar radicalmente, fazer uma paragem e experimentar novo caminho e uma mudança radical nas nossas vidas.
Assim, com outra feição, com outras possibilidades e com a graça de Deus, fá-lo-emos.
Não te dês por vencido, pensa que se Deus te deu a vida, é porque sabe que tu podes com ela.
O sucesso na vida não se mede pelo que conseguiste, mas pelos obstáculos que tiveste que enfrentar no caminho.
Tu e só tu, escolhes a forma como podes influenciar o coração dos outros e são essas decisões aquilo que se trata a tua vida.
“Que este dia seja o melhor da tua vida". 
 MAHATMA GHANDI


JFM  - Lisboa - PORTUGAL

quinta-feira, 26 de maio de 2011

UM MAPA DO CAMINHO... O BOSQUE INTERIOR

Um homem andava perdido no caminho Espiritual. Passeava, solitário, triste e preocupado perguntando a si mesmo se algum dia poderia ver a Luz, quando, subitamente, ouviu uma voz que lhe disse:
Onde vais bom homem?
Um pouco assustado, respondeu:
Ando há anos na procura uma Luz que me guie, mas nem a vejo nem sei onde a procurar.
Sorrindo, aquela voz disse-lhe: Meu filho, a Luz não se procura, está sempre diante de ti, o que se passa é que há um bosque de árvores, entre ti e ela, que não ta deixa ver.
Queres dizer que as árvores mentais que tenho não me deixam ver a luz?
Assim é, portanto tens de ir derrubando todas as árvores que estão entre ti e a Luz, pois impedem-te de a ver.
E como posso fazer isso? Perguntou-lhe o homem.
Olha, vou ensinar-te como o fazer: Senta-te na base de uma árvore, mantém-te em silêncio e observa o que tens mentalmente de derrubar. Todas e cada uma delas.
O homem pôs-se mãos à obra e começou então a ver a sua primeira árvore. Viu a árvore da impaciência e derrubou-a, depois viu o da intolerância e incompreensão para com os demais, continuou e cortou a árvore da vaidade e do ego, eliminou também a árvore do rancor e o não perdão aos demais, olhou a árvore de julgar e achar-se superior aos outros, e cortou, cortou...
Passado um momento a voz disse-lhe: Como vai o trabalho?
O homem respondeu: - Vou indo bem, acabo de devastar uma grande fileira de árvores que não me deixam ver a luz, mas ainda não a vejo. Há uma outra grande quantidade de árvores. Que árvores são estas? Perguntou o homem.
A voz respondeu: São as mesmas árvores que derrubaste só que agora crescem ao nível espiritual. São as árvores da vaidade espiritual, intolerância espiritual, a árvore de se acreditar ser o dono da verdade…. Estas árvores são piores que os anteriores, por isso, corta-as muito bem.
Assim fez o homem, continuou a derrubar a nova fileira de árvores. Primeiro foi a de se achar um eleito, achar-se mestre, depois a árvore de querer salvar ao mundo, cortou também a árvore da sua religião e cortou, cortou...
Voltou a voz que lhe disse: - Como vais?
- Acabo de devastar outra grande fileira de árvores que não me deixam ver a luz, mas ainda não a vejo! Há ainda mais outra grande fileira. Que árvores são estas? Perguntou o homem.
A voz respondeu: - Essas árvores são muito importantes, houve um momento em que elas te foram úteis mas agora deves cortá-las todas, mas terá que ser por tua conta a escolha. Observa bem e em consciência decide o que queres fazer....
Pensativo o homem meditou mais profundamente e decidiu cortar mais aquelas árvores: cortou a que o faziam acreditar em Mestres Ascensos, em Anjos, em Seres de Luz, em tudo o que leu e lhe tinham ensinado. Continuou a cortar, apesar de sentir o custo de tantos cortes e de ficar sem nada, seguiu adiante...
Uma vez mais a voz lhe disse: -Como vais?
E ele respondeu: -Vou bem, já vejo alguma Luz mas ainda vejo duas árvores. Uma é enorme e a outra mais normal. Que faço agora com elas?
A voz disse-lhe: - Antes de as cortar medita mais um pouco e procura o significado dessas árvores.
Concentrou-se e quando ia cortar a árvore mais normal, vacilou e rápido foi a consultar à voz.
Exclamou: - Esta é a árvore do meu SER, como queres que a corte?
Se queres ver a Luz, tens que a cortar, mas será sempre uma decisão tua. - Respondeu a voz.
Embora um pouco assustado cortou a árvore e viu que ficou sem acreditar no seu SER.
Passado um momento a voz disse: -Como te sentes?
Já devastei essa árvore, respondeu.
E a voz perguntou-lhe: E ainda continuas vivo?
O homem respondeu: - Sim.
Pois então continua, disse-lhe a voz.
Logo o homem encarou a enorme árvore que não o deixava ver a Luz. Mas foi quando a estava a cortar, deu conta do que ela representava e saiu a correr para questionar outra vez a voz. Muito assustado clamou.
- Oh Mãe minha! Tu sabes que árvore é esta? É o meu Deus!
Assim é - disse a voz - corta-o também se queres ver a luz.
-Oh! Como isso me vai custar tanto, mas fá-lo-ei.
Passado um momento voltou a voz: -Como vais?
Muito bem. Já vejo a luz, é esplendorosa em todo seu Amor, é incrível. Muito obrigado de todo o coração por me ajudares a ver a Luz, disse-lhe aquele homem entusiasmado.
-Não corras tanto - Replicou a voz. Ainda não terminámos, essa luz que vês é ainda e apenas um reflexo espelhado, por isso ainda tens que derrubar uma última árvore para poderes ver a verdadeira Luz.
Como? Respondeu o homem. Eu não vejo mais nenhuma árvore.
Esse é o problema, nunca vêem a última árvore, Essa árvore és o tu mesmo, Vês a luz através de ti e não a tua própria Luz. Corta-a!
O homem não queria acreditar no que acabara de ouvir, mas mesmo assim decidiu olhar a sua própria árvore e cortou-a.
Como vais, já viste a Luz?
E aquele homem com todo o amor, paz e felicidade, respondeu à voz: Já não vejo a Luz, 

!!!EU SOU A LUZ!!!

(Texto traduzido e adaptado de autor desconhecido)

JFM - Lisboa - Portugal

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O CAMINHO DO MAGO





O Caminho do Mago*

Havia entre Galahad, o mais puro dos cavaleiros que serviu o Rei Artur um fato em comum: ambos terem sido concebidos fora do casamento Embora o fato de que
Galahad ser filho natural de Lancelot, não lhe causou qualquer estigma, quando chegou o dia em que aspirava a ser paladino de uma dama da corte. Artur opôs-se e manifestou o seu descontentamento.

- "Eu não vou permitir que sejas o paladino de qualquer nobre senhora", disse Artur.
Galahad corou e gaguejou: - "Mas meu senhor, todo cavaleiro deve servir uma dama para mostrar a pureza de seu amor."
"O que sabes tu do amor?" Perguntou Artur de uma forma tão incisiva que fez Galahad corar mais intensamente.
“Se estás assim tão ansioso para lutar por uma dama, eu vou apresentar-te três escolhas."
O rei pediu que chamasse Margaret, uma lavadeira de idade com cabelos brancos e verrugas no nariz. "Será que esta anciã lhe serve para o amor, gentil senhor?", Perguntou Artur.
A confusão de Galahad era enorme. "Eu não entendo meu senhor," murmurou.

Artur pediu que retirassem a serviçal: "Tragam a outra," ordenou. Desta vez trouxeram uma menina recém-nascida. "Se Margaret era muito velha e feia, então o que achas desta dama? É filha de nobres e não podes negar sua beleza." Embora não tivesse nenhuma dúvida de que a menina era muito bonita, a confusão de Galahad, aumentou. Balançava a cabeça.

"Esse amor de que falas é um amor difícil de satisfazer", disse Artur. Mandou então que entrasse uma terceira dama, e desta vez veio Arabela, uma linda menina de doze anos. Galahad olhou para ela e tentou suprimir a raiva. "Meu senhor, é apenas uma menina e é minha meia-irmã", disse.

"Pediste-me uma dama a quem servir”, disse Artur, "e eu fui suficientemente generoso ao apresentar-te três. Agora deves decidir."

Galahad, estava atordoado. "Por que zombais de mim assim?" Perguntou.
Artur fez um gesto com a mão e todos saíram do salão ficando a sós. "Eu não estou a brincar contigo", disse ele. "Eu tento mostrar-te algo que aprendi com meu Mestre, Merlin".

Galahad olhou e viu que a carranca de Artur se tinha desvanecido. " Os meus cavaleiros dizem servir as mulheres por amor", continuou o rei, "e, apesar de suas juras de amor casto, na maioria das vezes tem uma paixão por aqueles a quem servem, não é? Galahad assentiu. "E quanto maior a sua paixão para com elas, maior é o zelo de servir, certo?" perguntou Arthur. O jovem cavaleiro concordou.
“Merlim ensinou-me outra maneira de amar ", disse Arthur. "Pensa na pessoa idosa, na menina recém-nascida, na menina tua irmã. Todas são manifestações do feminino, mas à medida que essas formas mudam, aquilo a que tu chamas amor muda com elas. Quando falas em amor, o que tu realmente pretendes é satisfazer uma imagem tens dentro de ti.

"É assim que começa o apego, com a propensão pela uma imagem. Podes afirmar que amas uma mulher, mas se ela te trair com outro homem, o teu amor transforma-se em ódio. Porquê?
Porque a tua imagem interior ficou manchada, já não é a mesma que amavas e o facto de te sentires traído despertou em ti a ira.

"Que posso fazer?", perguntou Galahad.
"Olha para além das tuas emoções, porque elas mudarão constantemente e pergunta-te o que existe por detrás dessa imagem. As imagens são fantasias que existem para nos proteger de algo que não desejamos enfrentar. Neste caso trata-se do vazio. É na falta de amor por ti mesmo, que encontras a imagem para tapar esse vazio. Daí a intensa dor, que te causa uma rejeição ou uma traição no amor, porque te deixa exposta a ferida aberta pela tua própria necessidade".

"O amor, é considerado como algo muito belo e elevado", lamentou
Galahad, "não obstante, tu pareces querer torna-lo em algo horrível".

Artur sorriu. "Aquilo a que se costuma considerar amor, pode ter consequências terríveis, mas não é o final da história. O amor tem um segredo.
Merlín contou-mo há muitos anos e eu vou-to confiar agora: Quando puderes amar uma idosa, uma menina e uma jovenzinha de igual maneira, serás livre para amar para além da forma. Então desatar-se-á dentro de ti a essência do amor, que é uma força universal, isenta de apegos. Por fim irás sentir o chamamento silencioso ao qual o amor obedece."

*Traduzido e adaptado de um texto de Deepak Chopra


JFM _ Lisboa- Portugal